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Vigilância, Disciplina e Equidade na Educação: Uma Leitura a Partir de "Vigiar e Punir" — Michel Foucault

  • 15 de dez. de 2025
  • 2 min de leitura

A escola é tradicionalmente vista como um espaço de aprendizagem, mas uma leitura crítica, a partir da obra "Vigiar e Punir" (1975) de Michel Foucault, revela que ela é, também, um local de intensa vigilância e disciplina. Essa reflexão é crucial para entender como o exercício do poder no campo educacional impacta a garantia da equidade.


Disciplinaridade e o Campo Educacional

Segundo Foucault (2019), a disciplina é um conjunto de técnicas voltadas ao controle minucioso dos corpos e dos comportamentos. Nas escolas, a disciplinaridade manifesta-se por meio de horários, regras, procedimentos de avaliação e observação constante dos alunos. Essa organização cria sujeitos moldados segundo padrões sociais, moldando saberes e práticas. Ball (2012) destaca que “as escolas funcionam como microcosmos do poder disciplinar, reproduzindo estruturas de controle que atravessam a sociedade”.

Esse processo pode impactar a equidade educacional. Quando não há reflexão crítica, a disciplina pode reforçar desigualdades, tratando alunos de forma padronizada, sem considerar suas especificidades e contextos socioeconômicos.


O Panoptismo e a Padronização que Limita a Equidade

O conceito de Panoptismo (modelo de vigilância onde os indivíduos internalizam o controle, passando a se auto-observar ) está presente nas escolas através de:

  • Registros de frequência e notas.

  • Avaliações padronizadas.

  • Monitoramento constante do desempenho.

Embora a disciplina possibilite organização, o controle excessivo pode limitar a autonomia e a criatividade dos estudantes.

O grande desafio para a equidade educacional surge quando a disciplina e o controle padronizam o tratamento dos alunos, sem considerar suas especificidades e contextos socioeconômicos, podendo reforçar desigualdades. Para garantir a equidade, é essencial que esses mecanismos sejam repensados para promover a atenção às diferenças individuais e oportunidades reais de aprendizado.


Poder-Saber e Equidade Educacional

A relação entre poder e saber, central em Foucault, é determinante na educação. O saber institucionalizado define o que é considerado legítimo, influenciando currículo, métodos de avaliação e acesso a recursos. Isso exige uma reflexão crítica sobre como as políticas educacionais podem reproduzir ou combater desigualdades (BOURDIEU, 2007).

Garantir a equidade implica, portanto, repensar práticas pedagógicas e estruturas institucionais de forma que o controle disciplinar seja substituído ou complementado por estratégias que valorizem a diversidade e a inclusão.


A verdadeira inclusão transcende o simples acesso à escola, exigindo a criação de ambientes educacionais que respeitem e potencializem as diferenças. O desafio é transformar as práticas de controle em instrumentos que promovam autonomia, participação e equidade.

A M3R Consultoria Educacional está focada em apoiar gestores e educadores a construir ambientes de aprendizagem que promovem a autonomia e a diversidade, alinhando a gestão do poder na escola aos princípios da inclusão e da equidade. Nosso trabalho é gerar valor através de uma educação que reconhece e potencializa as diferenças.


Sua rede de ensino busca transformar o ambiente disciplinar em um espaço de autonomia e equidade?

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